
A nova legislatura da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems), que começa em 2027, reunirá três personagens de diferentes momentos da história política do Estado. Eleito deputado estadual nas eleições de outubro, o ex-governador André Puccinelli (MDB) retornará ao Parlamento depois de 32 anos, dividindo novamente o plenário com Zeca do PT e Londres Machado, dois antigos adversários políticos que também conquistaram a reeleição.
Puccinelli deixou a Assembleia em janeiro de 1995, quando assumiu uma cadeira na Câmara dos Deputados. Posteriormente, foi eleito prefeito de Campo Grande por dois mandatos consecutivos e, depois, governador de Mato Grosso do Sul, também por dois períodos.
Agora, retorna ao Legislativo estadual em uma composição que reúne lideranças com trajetórias marcadas por disputas eleitorais, divergências partidárias e períodos de atuação conjunta.
Disputa com Zeca do PT marcou eleição de 1996
Um dos episódios mais conhecidos da rivalidade entre André Puccinelli e Zeca do PT ocorreu na eleição para a Prefeitura de Campo Grande, em 1996. ConsultarAtlas
Naquele pleito, Zeca terminou o primeiro turno à frente, mas Puccinelli conseguiu reverter o resultado na votação decisiva e venceu a disputa por uma diferença de apenas 411 votos.
A eleição consolidou a projeção política dos dois líderes, que posteriormente chegariam ao Governo de Mato Grosso do Sul.
Zeca do PT governou o Estado por dois mandatos consecutivos, entre 1999 e 2006. Na sequência, André Puccinelli venceu a eleição estadual e assumiu o governo em 2007, permanecendo no cargo até 2014.
Apesar das disputas eleitorais e das críticas públicas, os dois também tiveram momentos de aproximação política e administrativa.
Antigos adversários já atuaram juntos
Antes de ocuparem o Executivo, Puccinelli e Zeca integraram a oposição ao então governador Pedro Pedrossian na Assembleia Legislativa.
Anos depois, quando André comandava a Prefeitura de Campo Grande e Zeca governava Mato Grosso do Sul, as duas administrações desenvolveram ações conjuntas.
Um dos exemplos foi a cooperação na área habitacional, envolvendo a Empresa Municipal de Habitação (Emha) e a Agência de Habitação Popular de Mato Grosso do Sul (Agehab).
Na ocasião, imóveis vinculados à estrutura municipal chegaram a ser disponibilizados para entregas realizadas pela agência estadual.
A atuação conjunta demonstrou que as divergências partidárias não impediram a realização de determinadas iniciativas administrativas.
Rivalidade com Londres começou em Fátima do Sul
A relação política entre André Puccinelli e Londres Machado tem origem em Fátima do Sul, município ligado ao início da trajetória pública de ambos.
Ao longo das décadas, os dois protagonizaram disputas por influência e espaço político em Mato Grosso do Sul.
As divergências ganharam repercussão pública em diferentes momentos, embora relatos de lideranças que acompanharam aquele período apontem que a convivência pessoal era mais cordial do que os embates políticos sugeriam.
Com o retorno de Puccinelli, os dois voltarão a participar das discussões e votações da Assembleia, agora em uma composição partidária diferente daquela de legislaturas anteriores.
Saúde e infraestrutura estão entre as prioridades
Eleito deputado estadual e apontado como o candidato mais votado em Campo Grande, André Puccinelli já indicou as áreas que pretende priorizar no mandato que começa em 1º de fevereiro de 2027.
Em declaração a um blog político, o ex-governador afirmou que pretende concentrar sua atuação em saúde, educação, assistência social e infraestrutura dos municípios.
Médico de formação, Puccinelli retorna ao Legislativo depois de uma trajetória que inclui passagens pela Assembleia, Câmara Federal, Prefeitura da Capital e Governo do Estado.
A presença de André Puccinelli, Zeca do PT e Londres Machado na próxima legislatura reunirá políticos que participaram de decisões importantes da administração estadual nas últimas décadas.
A convivência parlamentar colocará os três novamente diante de debates sobre orçamento, políticas públicas e projetos de interesse dos municípios, em um cenário no qual antigas divergências poderão coexistir com articulações em torno de propostas comuns.
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