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Candidato do Missão se passou por apoiador de Lula para recolher material de campanha em São Paulo

Gabriel Piauhy divulgou vídeo mostrando a retirada de panfletos e adesivos de comitês eleitorais; PT avalia medidas jurídicas e candidato nega irregularidade

30/10/2026 às 14h19
Por: Campo Grande Fonte: JE
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O candidato a deputado federal Gabriel Piauhy (Missão) provocou uma controvérsia eleitoral em São Paulo ao divulgar um vídeo no qual aparece se passando por apoiador do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para conseguir materiais de campanha em comitês partidários. A gravação foi publicada na sexta-feira (23 de outubro) e retirada das redes sociais poucas horas depois. NotíciasEleições

Segundo reportagem do Metrópoles, Piauhy e outras três pessoas participaram da ação, que envolveu a retirada de panfletos, adesivos e banners destinados à divulgação da candidatura de Lula no segundo turno das eleições presidenciais.

No vídeo, o próprio candidato afirma que sua intenção era impedir que o material fosse distribuído aos eleitores.

A conduta foi criticada pelo diretório paulista do Partido dos Trabalhadores (PT), que informou estar avaliando possíveis medidas jurídicas. Piauhy, por sua vez, sustenta que a gravação tinha caráter de sátira e nega ter cometido qualquer infração eleitoral. NotíciasEleições

Grupo visitou comitês do PT e do PCdoB

De acordo com as imagens divulgadas, Gabriel Piauhy procurou pelo menos dois comitês eleitorais, um do PT e outro do Partido Comunista do Brasil (PCdoB).

Apresentando-se como simpatizante da candidatura de Lula, o candidato afirmou aos responsáveis pelos locais que viajaria por diferentes cidades e precisava de materiais para distribuir durante a campanha.

Outras três pessoas ligadas ao grupo também compareceram aos comitês em momentos distintos, utilizando justificativas semelhantes para obter mais peças de propaganda.

Na sequência da gravação, os participantes aparecem reunidos em um imóvel, onde espalham sobre uma mesa o material recolhido.

O grupo comemora o resultado da ação, enquanto Piauhy explica que o objetivo era retirar a propaganda eleitoral das ruas. NotíciasEleições

“Material petista fora das ruas de São Paulo. Minha parte eu fiz”, declarou.

O candidato também incentivou seus seguidores a procurar comitês partidários e adotar estratégias semelhantes para conseguir materiais de campanha.

Vídeo foi apagado após repercussão

A publicação foi removida das redes sociais poucas horas depois de sua divulgação.

O Metrópoles, entretanto, informou ter preservado uma cópia da gravação antes da exclusão.

Questionado pela reportagem, Piauhy afirmou que a intenção era fazer uma provocação política à campanha de Lula, especialmente em relação às críticas dirigidas ao então candidato presidencial Flávio Bolsonaro (PL). ConsultarDecretos

Segundo ele, o conteúdo buscava satirizar afirmações feitas durante a disputa eleitoral.

O candidato também negou que os materiais tivessem recebido destinação irregular ou que sua conduta configurasse crime eleitoral.

“Nenhum crime eleitoral foi cometido, tá? O material não teve a finalidade desvirtuada, isso eu posso te garantir”, afirmou.

Sobre a decisão de apagar a publicação, reconheceu que a repercussão não foi a esperada.

“Eu acho que a sátira pegou mal, é isso”, declarou.

PT repudia ação e estuda providências

O diretório estadual do PT em São Paulo criticou a iniciativa e considerou que a conduta ultrapassou os limites de uma manifestação política legítima.

Em nota encaminhada ao Metrópoles, o partido afirmou que a obtenção de materiais mediante informações falsas representa uma tentativa de prejudicar a divulgação de uma candidatura.

“A democracia exige respeito, responsabilidade e compromisso com a verdade. A tentativa deliberada de enganar e prejudicar a livre circulação de materiais de campanha é incompatível com esses princípios”, declarou a legenda.

O PT informou ainda que sua equipe jurídica analisaria a possibilidade de adotar medidas contra o candidato.

Até a publicação da reportagem original, não havia registro informado de representação ou processo eleitoral instaurado contra Gabriel Piauhy em razão do episódio. NotíciasEleições

A eventual caracterização de uma infração dependerá da análise das circunstâncias e da legislação aplicável pelas autoridades competentes.

Partido Missão afirma que não participou da iniciativa

Procurado pela reportagem, o Partido Missão, legenda de direita criada a partir do Movimento Brasil Livre (MBL), declarou que não tinha conhecimento prévio da ação realizada pelo candidato e pelos demais participantes. ConsultarAtlas

A sigla também negou participação na organização da gravação.

A manifestação procura separar a atuação individual de Piauhy de uma eventual orientação institucional do partido.

Candidato recebeu pouco mais de 5 mil votos

Gabriel Piauhy é influenciador político e reúne aproximadamente 300 mil seguidores nas redes sociais.

Anteriormente filiado ao Partido Liberal (PL), ele passou a integrar o Missão após mudanças em seu posicionamento político, incluindo críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Piauhy já havia provocado repercussão em junho, quando publicou imagens de homens em uma área do Parque Ibirapuera, em São Paulo, durante uma abordagem que gerou críticas pela exposição das pessoas filmadas.

Nas eleições de 2026, concorreu a uma cadeira na Câmara dos Deputados por São Paulo e recebeu 5.169 votos, mas não foi eleito. NotíciasEleições

Caso levanta discussão sobre limites da disputa eleitoral

O episódio trouxe à discussão a utilização de informações falsas para obter materiais de propaganda distribuídos por campanhas adversárias.

Embora Piauhy tenha apresentado a iniciativa como uma sátira, o vídeo registra declarações nas quais ele afirma ter agido para impedir a circulação da propaganda de Lula. ConsultarDecretos

O PT considera que houve uma tentativa deliberada de prejudicar sua campanha, enquanto o candidato sustenta que não praticou qualquer irregularidade.

A existência de eventual responsabilidade eleitoral ou criminal não pode ser presumida apenas pela repercussão do vídeo e dependerá de apuração e decisão das autoridades competentes.

Até o momento relatado pela reportagem, o caso permanecia no campo das manifestações públicas, com a possibilidade de adoção de medidas jurídicas pelo Partido dos Trabalhadores.

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