

A eleição deste domingo, 4 de outubro, fortaleceu nas urnas alguns dos principais deputados que já se movimentam pela futura Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems). Nomes interessados na presidência e na primeira-secretaria aparecem entre os parlamentares com votações expressivas, aumentando o peso político de cada um nas negociações que devem marcar os próximos meses.
As articulações envolvem principalmente Zé Teixeira (PL), Paulo Corrêa (PL), Pedro Caravina (PSDB), Coronel David (PL) e o atual presidente Gerson Claro (PP). A definição deverá passar por negociações entre as bancadas e também tende a envolver o grupo político do governador reeleito Eduardo Riedel (PP) e do senador eleito Reinaldo Azambuja (PL).
Embora a votação individual não determine quem ocupará os cargos da Mesa Diretora, o desempenho nas urnas oferece aos postulantes um argumento político importante na busca por apoio entre os deputados.
Zé Teixeira (PL) — 54.080 votos
Interessado na primeira-secretaria, Zé Teixeira chega fortalecido à negociação depois de terminar a eleição como o deputado estadual mais votado de Mato Grosso do Sul, com 54.080 votos.
O cargo pretendido pelo parlamentar é considerado um dos mais estratégicos da Assembleia, por sua participação direta na administração interna e nas questões financeiras da Casa.
A expressiva votação também amplia o peso de Zé Teixeira dentro do PL, legenda que conquistou a maior bancada na composição definida inicialmente pelas urnas.
Paulo Corrêa (PL) — 44.541 votos
Outro nome que chega fortalecido à disputa é Paulo Corrêa, reeleito com 44.541 votos. Atual primeiro-secretário, o parlamentar pretende voltar à presidência da Assembleia, função que já exerceu anteriormente.
Corrêa não poderá permanecer na primeira-secretaria neste início da próxima legislatura, o que direciona suas articulações para a presidência.
Além da experiência acumulada na Mesa Diretora, o deputado conta agora com a votação expressiva obtida neste domingo e com a força da bancada do PL como elementos importantes na negociação.
Pedro Caravina (PSDB) — 43.845 votos
Entre os adversários de Paulo Corrêa está Pedro Caravina, que conquistou a reeleição com 43.845 votos e também pretende disputar a presidência.
Caravina mantém proximidade política com o governador Eduardo Riedel e já ocupou o cargo de secretário de Governo na atual administração estadual.
Essa relação com o Executivo pode ter peso nas articulações, principalmente porque a eleição da Mesa costuma envolver a formação de um bloco capaz de reunir diferentes partidos.
Com votação próxima à de Paulo Corrêa, Caravina também poderá utilizar o resultado das urnas para reforçar sua candidatura entre os colegas.
Coronel David (PL) — 41.492 votos
O Coronel David também aparece na lista dos interessados em comandar a Assembleia. Reeleito com 41.492 votos, o deputado já havia sinalizado anteriormente ao grupo político que pretendia disputar a presidência em uma próxima oportunidade.
Na eleição anterior da Mesa Diretora, Coronel David acabou não levando adiante uma candidatura contra o grupo que conduziu Gerson Claro à presidência. Desta vez, porém, a expectativa é de que volte a reivindicar espaço na negociação.
Sua presença acrescenta um componente importante à disputa interna do PL, já que tanto ele quanto Paulo Corrêa são apontados como interessados na presidência, enquanto Zé Teixeira mira a primeira-secretaria.
Com a maior bancada da Casa, o partido terá peso significativo na montagem da próxima Mesa.
Gerson Claro (PP) — 35.767 votos
Atual presidente da Assembleia, Gerson Claro foi reeleito com 35.767 votos e deverá buscar outro espaço de destaque na Mesa Diretora.
Depois de ocupar a presidência por dois biênios consecutivos, Gerson não poderá disputar novamente o mesmo cargo neste início da próxima legislatura. A alternativa em discussão é justamente a primeira-secretaria, também pretendida por Zé Teixeira.
Com isso, além da disputa pela presidência, a definição do segundo posto mais importante da estrutura administrativa da Assembleia deverá provocar uma negociação própria.
Gerson pertence ao PP, partido do governador Eduardo Riedel, e mantém participação central no grupo político que atualmente controla a Assembleia.
Entre os principais nomes colocados na discussão pela Mesa Diretora, os resultados deste domingo foram:
O desempenho eleitoral, entretanto, não dá preferência formal a nenhum deles. A eleição da Mesa Diretora é feita pelos próprios deputados e depende da construção de maioria entre os 24 parlamentares.
É justamente por isso que as negociações entre partidos e lideranças políticas deverão ganhar intensidade até a definição do comando da Casa.
Dois personagens externos à Assembleia aparecem como peças importantes nessa construção: o governador reeleito Eduardo Riedel e o senador eleito Reinaldo Azambuja.
Riedel terá interesse direto em construir uma relação estável com o Legislativo para o segundo mandato, que começa em 1º de janeiro de 2027. A presidência da Assembleia é estratégica para a tramitação dos projetos enviados pelo Executivo e para a articulação política entre governo e deputados.
Azambuja, por sua vez, mantém influência sobre diferentes integrantes do grupo político que governou Mato Grosso do Sul nos últimos anos e chega fortalecido pela eleição ao Senado.
O cenário ainda está aberto. Além das pretensões individuais, a composição partidária da Assembleia e os acordos para os demais cargos da Mesa poderão ser determinantes.
O primeiro recado, entretanto, veio diretamente das urnas: os principais interessados no comando da Alems começam a negociação respaldados por votações expressivas, e alguns deles estão justamente entre os deputados estaduais mais votados de Mato Grosso do Sul.
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