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Nelsinho Trad deixa presidência do Parlamento Amazônico em meio a alertas sobre garimpo ilegal

Senador de MS encerra gestão iniciada com a reativação do colegiado em 2020; encontro reuniu denúncias de contaminação por mercúrio e exploração de menores

28/10/2026 às 21h44
Por: Campo Grande Fonte: ASSECOM
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ASSESSORIA
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O senador Nelsinho Trad (PSD-MS) encerrou sua gestão à frente do Parlamento Amazônico (Parlamaz) durante assembleia realizada em Yerevan, na Armênia, paralelamente à COP17 da Biodiversidade. A reunião foi marcada por denúncias de parlamentares de países amazônicos sobre o avanço do garimpo ilegal, a contaminação de rios por mercúrio e a atuação de organizações criminosas envolvidas na exploração de recursos naturais e no recrutamento de crianças e adolescentes. ConsultarAtlas

O encontro também definiu a sucessão no comando da instituição. O senador peruano Víctor Manuel Noriega Reátegui foi eleito por aclamação para a presidência do Parlamaz, criado em 1989, no Peru.

A mudança encerra o período em que Nelsinho conduziu a retomada das atividades do organismo, reativado em 21 de dezembro de 2020, após anos de paralisação.

Garimpo ilegal e contaminação preocupam parlamentares

Durante a assembleia, a parlamentar peruana Azucena Isla Rojas, representante de Loreto, relatou dificuldades enfrentadas pelas autoridades no combate à mineração clandestina.

Segundo ela, operadores de dragas utilizadas na extração ilegal de ouro escondem os equipamentos debaixo d'água quando equipes policiais e militares se aproximam. Após a saída dos agentes, a exploração é retomada.

“O problema não é a falta da norma, mas que a norma não chega ao rio”, afirmou.

Azucena também apresentou informações sobre a contaminação por mercúrio em Pintuyacu, no Peru. Conforme os dados mencionados, 79% dos níveis analisados estavam acima do valor de referência da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A presença do metal nos rios e nos peixes consumidos pelas comunidades representa risco à saúde, especialmente ao desenvolvimento neurológico de crianças.

A parlamentar defendeu maior integração entre os oito países amazônicos, com medidas para controlar o comércio de mercúrio, aproximar as legislações ambientais e proteger lideranças indígenas e defensores do meio ambiente.

Exploração de menores e crime organizado

A representante do Equador, Esperanza Rogel, alertou para o recrutamento de adolescentes por organizações criminosas e para episódios de violência sexual contra meninas nas regiões afetadas pela exploração ilegal.

“Os jovens que não cumprem nem sequer 18 anos estão sendo recrutados pelas bandas criminosas”, denunciou.

A parlamentar ressaltou que a proteção da Amazônia precisa considerar também as condições de vida das populações locais.

Pela Bolívia, Cecilia Isabel Zárate apontou relações entre o garimpo clandestino, o tráfico de pessoas, o contrabando e a exploração ilegal de madeira e animais silvestres. Também mencionou os impactos ambientais da exploração de hidrocarbonetos.

As manifestações destacaram a dificuldade de enfrentar crimes que ultrapassam fronteiras e exigem ações coordenadas entre os países da região.

Cooperação internacional

O embaixador brasileiro Gustavo Buttes, representante do Ministério das Relações Exteriores, defendeu o fortalecimento da cooperação regional e lembrou os compromissos assumidos durante a Cúpula da Amazônia de 2023, realizada em Belém. ConsultarAtlas

O encontro reuniu presidentes dos países amazônicos e estabeleceu compromissos relacionados à proteção ambiental, ao desenvolvimento sustentável, à segurança, à saúde e à cooperação científica.

“Os Parlamentos podem e devem conferir legitimidade, continuidade e alcance político aos esforços efetuados, implementados pelos governos dos países amazônicos, elevando o nível do debate político sobre os temas amazônicos”, afirmou.

A secretária-geral da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), Vanessa Grazziotin, reconheceu a participação de Nelsinho Trad na retomada do Parlamaz e defendeu a continuidade das negociações para formalizar a integração entre as duas instituições.

Nelsinho destaca retomada das atividades

Ao avaliar sua gestão, Nelsinho Trad lembrou as dificuldades enfrentadas para reativar o Parlamento Amazônico durante a pandemia de covid-19.

“Quando reativamos o Parlamaz, em 21 de dezembro de 2020, nós enfrentávamos o desafio de retomar uma instituição após anos de inatividade, em plena pandemia. Era preciso restabelecer o diálogo e dar continuidade a uma agenda comum, apesar das dificuldades daquele momento”, declarou.

Durante o período, o colegiado promoveu discussões sobre restauração florestal, bioeconomia, manejo integrado do fogo e cooperação científica.

Também foram desenvolvidas iniciativas em parceria com a Plataforma CIPÓ e a Associação de Universidades Amazônicas (UNAMAZ), aproximando parlamentares, pesquisadores e especialistas.

Para o senador sul-mato-grossense, a principal contribuição de sua gestão foi recuperar um espaço permanente de diálogo entre representantes políticos e instituições científicas.

“O principal legado é a consolidação de um espaço que reúne a legitimidade dos representantes eleitos e o conhecimento técnico e científico da região”, afirmou.

Com a posse do novo presidente peruano, o Parlamaz inicia outra etapa de atuação, mantendo entre suas prioridades a cooperação internacional e o enfrentamento dos problemas ambientais e sociais que atingem a Amazônia.

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