

Anhanduí, distrito localizado a aproximadamente 60 quilômetros da região central de Campo Grande, atravessa um período de mudanças administrativas e estruturais. Sob a gestão do subprefeito Elenilton Dutra, a comunidade, que reúne cerca de 5 mil moradores entre a área urbana e a zona rural, começa a avançar em um planejamento que tem como principal objetivo a futura emancipação política e administrativa da localidade.
Nos últimos 17 meses, a administração tem concentrado esforços na organização territorial, melhoria dos serviços públicos e fortalecimento da economia local. A proposta é criar condições para que Anhanduí tenha maior independência financeira, atraia novos empreendimentos e amplie sua capacidade de atender às demandas da população.
Elenilton Dutra destaca que a regularização fundiária representa uma das principais etapas desse processo. Segundo ele, a falta de documentação dos imóveis foi, durante décadas, um dos obstáculos para a instalação de empresas e a formalização de atividades comerciais no distrito.
Com o avanço da regularização, a expectativa é proporcionar segurança jurídica aos proprietários e abrir novas oportunidades para empreendedores interessados em investir na região. A medida também poderá contribuir para a geração de empregos e o fortalecimento da arrecadação local.
Além do planejamento econômico, a subprefeitura vem atuando na recuperação de espaços públicos, no atendimento às famílias e na melhoria de serviços essenciais. A gestão, entretanto, ainda enfrenta dificuldades relacionadas à infraestrutura, às ligações irregulares de água e energia e aos custos de deslocamento pela BR-163, especialmente após o reajuste da tarifa de pedágio.
Para avançar nas demandas, Elenilton afirma que tem buscado articulação junto a representantes estaduais e federais. Ele também revelou ter utilizado recursos particulares para custear melhorias emergenciais e atender situações de maior vulnerabilidade entre os moradores.
Um dos principais resultados apresentados pela atual gestão é a regularização de 1.111 terrenos residenciais e 17 imóveis comerciais. O trabalho busca resolver pendências documentais que historicamente dificultavam a formalização de propriedades e a abertura de novos estabelecimentos.
Na avaliação do subprefeito, a organização fundiária é fundamental para que Anhanduí avance economicamente. Com os imóveis devidamente regularizados, comerciantes e empresários passam a ter melhores condições para investir, obter licenças e desenvolver suas atividades dentro da legalidade.
Outro avanço citado por Elenilton foi a obtenção de uma nota técnica junto ao Governo Federal para fundamentar a discussão sobre a emancipação do distrito. De acordo com ele, o processo enfrentava entraves havia aproximadamente 50 anos.
A chegada de novos empreendimentos também integra o planejamento. Entre os projetos em fase avançada de instalação estão uma fábrica do segmento de temperos, um posto de combustíveis de grande porte e a primeira unidade de uma casa lotérica credenciada pela Caixa Econômica Federal.
A expectativa é que os investimentos ampliem a oferta de serviços, movimentem o comércio e criem novas oportunidades de trabalho para os moradores.
A recuperação de estruturas públicas e o atendimento comunitário também estão entre as prioridades da subprefeitura. Diante de limitações orçamentárias e dificuldades nos procedimentos para liberação de recursos, Elenilton Dutra afirmou ter destinado aproximadamente R$ 200 mil de recursos próprios para atender necessidades do distrito.
Segundo o subprefeito, o dinheiro, proveniente de suas atividades no setor da pecuária, foi utilizado em melhorias e ações de apoio à população.
Entre as intervenções realizadas está a reforma da capela do cemitério local, que recebeu climatização, novos assentos e forro. Também foram relatadas iniciativas de auxílio financeiro a famílias em situação de vulnerabilidade, especialmente em despesas relacionadas ao sepultamento de familiares.
Na área da saúde pública, a gestão informou ter eliminado 1.111 focos de dengue durante uma ação concentrada de combate ao mosquito transmissor da doença.
A subprefeitura registra ainda uma média de aproximadamente 70 atendimentos diários, contemplando moradores da área urbana e das comunidades rurais do entorno.
Apesar dos avanços apontados pela administração, Anhanduí ainda enfrenta problemas estruturais que afetam diretamente a rotina dos moradores e o desenvolvimento econômico.
Um dos pontos de maior preocupação de Dutra é o valor cobrado na praça de pedágio da BR-163. Para o subprefeito, os reajustes representam um custo adicional para trabalhadores que precisam se deslocar até Campo Grande e também para o transporte de mercadorias e insumos.
Na avaliação dele, o encarecimento desses deslocamentos pode prejudicar a competitividade dos negócios locais e dificultar a integração econômica do distrito com a cidade.
Outro problema apontado pela subprefeitura é a informalidade nas ligações de serviços essenciais. Estimativas da administração indicam que aproximadamente 70% das residências possuem conexões irregulares de água ou energia elétrica.
A situação dificulta o planejamento e a ampliação dos serviços pelas concessionárias, além de contribuir para episódios de interrupção no abastecimento e no fornecimento de energia.
A regularização dessas ligações é considerada necessária para melhorar a infraestrutura e permitir que o distrito avance em sua organização urbana.
A transformação de Anhanduí em município independente exige uma série de etapas administrativas e legislativas. O projeto depende de articulação com o Governo do Estado, análise na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS) e adequação às normas federais que regulamentam a criação de novos municípios.
Elenilton Dutra defende que o distrito possui potencial territorial e econômico para avançar nesse caminho, especialmente pela presença de produtores rurais e pelas possibilidades de desenvolvimento agroindustrial.
A estratégia da atual gestão é consolidar uma estrutura econômica e administrativa que dê sustentação ao projeto de autonomia. Para isso, a regularização dos imóveis, a atração de empresas, a geração de empregos e a melhoria dos serviços públicos são apontadas como etapas fundamentais.
Embora a emancipação ainda dependa de decisões políticas e legais em diferentes esferas de governo, a administração local aposta no fortalecimento da economia e na organização do território como caminhos para ampliar as perspectivas de desenvolvimento de Anhanduí.
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